Curiosidade 7 de 10
7. O Saara já foi verde
O maior deserto quente do mundo já teve lagos, rios e savanas. Até cerca de 5 mil anos atrás, o Saara era bem mais úmido, com hipopótamos, girafas e pessoas vivendo da caça e da criação de gado.
Um ciclo que segue a órbita da Terra
Esse período, que os cientistas chamam de Período Úmido Africano, durou milhares de anos e terminou entre 6 e 5 mil anos atrás. Pinturas nas rochas do deserto, como as do planalto de Tassili n'Ajjer, na Argélia, mostram gado, girafas e outros animais que hoje não sobreviveriam ali.
A causa está numa oscilação lenta do eixo da Terra, que muda a quantidade de sol que cada hemisfério recebe no verão. Quando o verão do norte fica mais forte, as monções africanas avançam para dentro do continente e levam chuva ao Saara. Esse ciclo se repete a cada cerca de 21 mil anos.
Quando as chuvas recuaram, a vegetação sumiu, os lagos secaram e o deserto voltou. O lago Chade, hoje bem menor, é o que sobrou de um lago antigo enorme.
Um antigo fundo de lago, a depressão de Bodélé, no Chade, virou uma das maiores fontes de poeira do planeta. Os ventos levam essa poeira para longe, atravessando o oceano Atlântico.
Você sabia? Parte dessa poeira chega à Amazônia. Um estudo com dados de satélite da NASA estimou que cerca de 27,7 milhões de toneladas de poeira do Saara caem por ano sobre a bacia amazônica, levando fósforo, um nutriente que ajuda a adubar a floresta.

